Produção artística socioambiental: entrevista com Fran Matsumoto

Em tempos de incêndios no pantanal e no cerrado e tentativas de desmonte da pasta ambiental do governo federal, trazemos na sensibilidade artística da Fran Matsumoto um exemplo de engajamento socioambiental. Formada em Ciências Biológicas, iniciou sua produção artística em 2017, buscando integrar a ela seus conhecimentos em biologia, assim como publicar temas de relevância ambiental. Um exemplo disso é o livro Tatá, escrito e ilustrado por ela e publicado pela Edições Barbatana, que aborda o impacto dos incêndios em áreas naturais sobre a fauna nativa. Aliando a relevância do tema com a qualidade da produção, Tatá encantou crianças e adultos e foi recentemente selecionado pela Expedição Vagalume para ser enviado a quase 1000 crianças ribeirinhas da Amazônia, em um projeto de incentivo à leitura. O Extensão Natural entrevistou a Fran para entender um pouco mais sobre suas inspirações e seu processo de construção do livro.





De onde surgiu a inspiração para desenvolver o projeto do Tatá?

A inspiração, que acredito que se traduza melhor como motivação, foi o aumento do desmatamento na Amazônia ano passado (2019). Eu conversava sobre com algumas amigas quando veio a ideia do livro. Eu não tinha muitos planos de colocar em prática, mas 4 ou 5 dias depois de ter a ideia, “o dia virou noite” e a gente sentiu as fumaças das queimadas da Amazônia em São Paulo. Isso me deixou muito mal, e decidi que precisava fazer esse livro com urgência, não porque eu achava que ia mudar algo, mas talvez como uma forma de terapia, de sentir que eu estava fazendo algo a respeito e me acalmar.


Como foi o processo de produzi-lo?

Nessa época eu estava querendo experimentar uma nova forma de finalização que misturava aquarela com digital, então foi bem divertido por essa questão da experimentação. E eu tinha uma ideia bem clara do livro na minha cabeça, então, logo que decidi fazer, já comecei a produzir as ilustrações.





E o que significa o título do livro, Tatá?

TATÁ significa fogo em Nheengatú. Achei que seria interessante entregar sem entregar sobre o que era a história logo no título. E quando estava tentando decidir o nome, um amigo paraense, Benedito Bandeira, me mandou uma lista de palavras em Nheengatú e achei perfeito. Cheguei a considerar alguns outros nomes da lista, como Abaité e Aíba, mas Tatá me ganhou.


Como você vê seu livro inserido nas pautas socioambientais atuais?

Quando fiz o livro, estavam acontecendo muitas queimadas na Amazônia, então tentei procurar animais que tivessem sua distribuição englobando a Amazônia Legal e que já estivessem ameaçados de extinção (pesquisei nos bancos da IUCN e do ICMBio). Existiam muitos animais que poderiam se encaixar, mas precisei usar alguns critérios de decisão, como preferir a "fofofauna" e também tentei pegar alguns com uma distribuição maior por outras regiões também, pois acredito que poderiam "servir" como espécies guarda-chuva. A gente (Edições Barbatana e eu) tentou também deixar claro no livro que as queimadas não são exclusivas da Amazônia e que elas ocorrem em todos os biomas brasileiros (conforme indicam dados do INPE). O livro, portanto, tem a intenção de dialogar com todos esses biomas que sofrem com queimadas criminosas e, portanto, também com essa pauta atual do Pantanal (inclusive lembro de ano passado ter acompanhado, enquanto produzia o livro, ações em relação às queimadas lá de ONG's como Onçafari e SOS Pantanal). Gostaria muito que o livro servisse como forma de conscientização, se for só para uma pessoa, acho que cumpriria seu papel.


Acompanhe o trabalho da Fran em suas redes: Instagram @fran.matsumo; Twitter @fran_matsumoto_; sites https://franmatsumoto.com/, https://www.behance.net/franmatsumoto; YouTube https://www.youtube.com/channel/UCLPXsWXYXngoXNGVmYEGkmA. Para adquirir o livro, acesse edicoesbarbatana.com.br.

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