O que estamos medindo? Os impactos dos indicadores econômicos

A Entrevista – “Valorizando e medindo o sucesso econômico: o que vem a seguir?” foi um dos pontos altos do terceiro dia do PHAM 2021. A necessidade da criação de novos indicadores econômicos foi discutida, alinhada a necessidade de equidade social e de cuidado planetário

Por Isabela Correa Barbosa e Luis Gustavo Lopumo Arruda, com original disponível aqui. O terceiro dia do Planetary Health Annual Meeting and Festival (PHAM) 2021 abordou “Como economias baseadas nos princípios da saúde planetária podem prosperar no século 21?”. A Entrevista – “Valorizando e medindo o sucesso econômico: o que vem a seguir?”, ocorreu das 13:20 às 14:00 BRT, e aprofundou a discussão a respeito. Conduzida por Jonathan Rose (Jonathan Rose Companies), contou com os entrevistados: Riane Eisler (Center for Partnership Studies e autora de livros como “O Cálice e a Espada” e “O Poder da Parceria”), e Will Evison (Diretor de Estratégias de Sustentabilidade da Consultoria PwC). Essa sessão centrou-se na seguinte questão: para que um novo paradigma econômico prospere, podemos precisar medir o crescimento econômico e o sucesso de uma maneira diferente. Eles apontaram o PIB; a ideia de dominação da natureza pelo ser humano e da mulher pelo homem, e a noção do sistema econômico linear como questões centrais para alavancar as mudanças necessárias; novas formas de abordar o mundo hoje.

Imagem por Beatriz S. Laham

Para Will Evison, índices como o Produto Interno Bruto (PIB) falham ao incorporar ações centrais na construção da saúde planetária. Investimentos nas áreas da educação pública ou da construção de um bem-estar amplo ainda são marginalizados. Nesse sentido, o paradigma econômico atual cria externalidades em suas práticas, falhando ao incorporar valores que não são estritamente produtivos. “O PIB ignora a natureza, exceto a parte que é comercializada”, complementa Evison.

(…) a economia é subsidiária da natureza; ela existe dentro dos ecossistemas, e não o contrário”. (Will Evison)

Riane Eisler concorda que o PIB apresenta muitos problemas quando é a única forma de medir a riqueza das nações, baseado em uma ideia irrealista do atual modelo de dominação econômica. “Nosso mapa econômico está incompleto”. diz Riane. A ativista defende que novas métricas devem ser estabelecidas, de forma relacional e com perspectiva mundial, através de um trabalho interdisciplinar. Em seu livro “Nutrindo nossa humanidade” (2019), Riane propõe um novo paradigma econômico, que valoriza o cuidado amplo, sobretudo diante da atuação de mulheres e crianças, valorizando sua importância, ignorada por modelos antigos, e aspectos da neurociência.

“Se utilizarmos sempre o PIB [como métrica], estaremos sempre à margem. As árvores só aparecem no PIB quando são cortadas”. (Riane Eisler)

Foi consenso a compreensão da economia como constructo humano e, portanto, passível de mudança. Segundo Riane, tal mudança não pode ser pautada sob erros antigos, e sim com uma visão mais inclusiva que aborde e valorize a humanidade como um todo. A compreensão da relação entre o que valorizamos e o que mensuramos é um caminho importante para essa nova economia. Nesse novo paradigma, a harmonia com a natureza é pautada na superação da competitividade, das opressões e na compreensão do potencial humano como integrado à natureza e à sua economia.

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Edição: Andréia Couto; Thaís Presa Martins